Vespa - Zumbindo há mais de 60 anos
Símbolo de uma atitude divertida e espontânea, a Vespa tem cativado várias gerações de entusiastas em todo o mundo. Conheça a ascensão de um mito com mais de 16 milhões de unidades vendidas.
A história da Vespa remonta ao ano de 1887, quando com apenas 20 anos Rinaldo Piaggio funda Piaggio & Cia. Nos primeiros tempos, as operações da marca ficam ligadas à construção naval, passando depois para a produção de composições ferroviárias e veículos comerciais, assim como motores e carrocerias.
Com o início da primeira Grande Guerra, a Piaggio diversifica as suas áreas de negócio e entra no segmento da construção aeronáutica. Em 1921, assume o controle de uma pequena fábrica em Pontedera, perto de Pisa, Itália, transformando –a no seu centro de produção aeronáutica, de onde viriam a sair os míticos bombardeiros Piaggio P108. Contudo, na 2ª Guerra Mundial essa unidade fabril, por razões óbvias, converte-se num alvo militar acabando por ser destruída.
O fim da guerra anunciava uma nova etapa de esperança para a Itália. Havia muito o qua ser reconstruído. Ciente desse cenário, Enrico, filho do entretanto falecido Rinaldo Piaggio, lança-se num arrojado plano de recuperação da fábrica em Pontedera.
Apostando na sua intuição, promove a produção de um veículo de baixo custo que, graças ao extraordinário trabalho criativo do engenheiro aeronáutico Corradino D’Ascanio (o homem que desenhou o primeiro helicóptero moderno), tornou-se um ícone internacional, pioneiro no segmento das scooter’s – uma das categorias de maior sucesso comerc ial à escala mundial, na atualidade.
Curiosamente aquele dotado engenheiro de aviação não apreciava veículos de duas rodas, pois achava que as motos daquela época eram desconfortáveis, volumosas e difíceis de reparar em caso de furos nos pneus e, pior, considerava que a corrente de transmissão encardia tudo e todos, arrebentavam facilmente e sua reparação ser suja e demorada. Dessa forma, encarava as motos com desdém. Com esses problemas em mente, D’Ascanio desenvolveu várias soluções. Para eliminar a corrente criou um sistema de transmissão acoplado diretamente entre o motor e a roda. Para facilitar a condução colocou o comando da transmissão no guidão. Para facilitar a troca de pneu dianteiro criou um sistema monobraço de modo a deixar um lado livre para facilitar a remoção da roda no caso de furo do pneu. Para poupar o condutor de sujeiras desenhou uma espécie de escudo, solução que, dada a configuração do quadro, acabou também por tornar mais fácil o acesso à moto. E assim nasceu o protótipo MP 6, batizado no primeiro instante com o nome de Vespa, numa alusão à sua silhueta esguia. Em abril de 1946, a Vespa entra na linha de produção na fábrica de Pontedera, na sua primeira versão com um motor de 98 cc e 3,2 HP à 4.500 rpm, com dois níveis de acabamento, sendo que a versão “luxury” possuía como extras um velocímetro, um descanso lateral e pneus com contornos laterais na cor branca.
Apesar do ceticismo inicial de muitos e de um arranque comercial pouco animador nos primeiros meses, depressa a Vespa conquistou milhares de adeptos, alcançando um comércio sem precedentes em todo o mundo. Só na Itália, entre 1946 e 1965, ano da morte de Enrico Piaggio, foram produzidas mais de 3.350.000 unidades – um quinto da população total do País. Também digno de registro seriam os clubes de seus fãs, que se multiplicaram em todo o mundo desde seu surgimento. E foi assim, ainda que em traços muito gerais, que a Vespa escreveu sua história até hoje. Passados 62 anos (celebrados em 2007), a Vespa continuou sendo uma referência no mundo das duas rodas, demonstrando que foi e é muito mais que um simples meio de transporte. Nos anos 60, foi um ícone social, sinônimo de paixão, liberdade e juventude, bastante retratada no cinema e em tantos outros meios de comunicação, inspirando os primeiros “rebeldes sem causa” a se organizarem naquilo que hoje conhecemos como Moto Clubes e similares, ou seja, é merecedora de um lugar de destaque na história da sociedade do Século XX, afinal, os atuais scooter’s, tão utilizados no dia-a-dia atualmente, no que pese mais avançados tecnicamente, são uma variante da Vespa.
Curiosidades:
Em 1951, a Piaggio produziu um protótipo da Vespa de 125cc que estabeleceu o recorde de 171 km/h, numa distância de um kilômetro;
Em 1952, o francês Georges Monneret adaptou uma Vespa para versão anfíbia, utilizada numa competição Paris-Londres, tendo atravessado com sucesso o Canal da Mancha em cima da sua “Vespa Nadadora”;
Nos anos 60, o exército francês possuía algumas unidades especiais da Vespa para transportar armas e bazucas e outras para acompanharem os pára-quedistas em seus saltos;
Em 1980, duas Vespas PX200, pilotadas por Tcherniawsky e Simonot, cruzaram a linha da meta na 2ª edição do Paris-Dakar;
O “vespista” mais famosos do mundo é o italiano Giorgio Betinelli, escritor e jornalista, que ficou conhecido por ter saído de Roma em 1952 numa Vespa 125, apenas com um maço de cigarro e uma guitarra, terminando a aventura em 1993, em Saigon, Vietnam. Percorreu cerca de 24.000 km.
Original publicado no Guia Moto Turismo de Portugal




